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Resenha Histórica:
Da Escola Preparatória Gomes Eanes de Azurara (1971/72)
ao actual Agrupamento de Escolas Gomes Eanes de Azurara
A Escola B 2/3 Gomes Eanes de Azurara, actualmente designada por Agrupamento de Escolas, Gomes Eanes de Azurara, está alicerçada numa história de mais de 30 anos e num sonho de cerca de meio século (veja-se a propósito o nº1016 do Jornal de Notícias: Escola Preparatória de Gomes Eanes de Azurara - História da sua criação).
Das diligências efectuadas pela Câmara Municipal de Mangualde, em Abril de 1971 junto do director de Serviços do Ciclo Preparatório do Ensino Secundário, Dr. Teixeira de Matos, mais tarde Director Geral do Ensino Básico e do Governador Civil do Distrito de Viseu, nasceu a vontade de instalar, no ano lectivo de 1971/72 uma Escola do Ciclo Preparatório no Concelho de Mangualde.
Feito o levantamento topográfico do espaço onde se previa a instalação do futuro complexo escolar, a Câmara Municipal, por ofício de 12-5-71 envia à Direcção de Serviços do Ciclo Preparatório do Ensino Secundário a planta de toda a propriedade e o esboço topográfico, mais ou menos correcto, onde se indica a divisão do edifício.
O município satisfez ainda a exigência do Departamento do Ensino Preparatório, indicando duas personalidades históricas com ligação ao Concelho de Mangualde, (Gomes Eanes de Azurara e Gil Vicente) fim de uma delas poder vir a ser designada como patrono da nova escola.
A Câmara Municipal de Mangualde estabeleceu negociações com a inquilina do prédio onde viria a ser instalada a nova Escola, no sentido de o mesmo ficar devoluto, a fim de se procederem às respectivas obras de adaptação do edifício. As obras de adaptação começaram em Junho de 1971 e, numa primeira fase, reconstruiu-se o velho edifício e montaram-se 4 pavilhões pré-fabricados. Para uma segunda fase, ficaram a construção do Pavilhão Gimnodesportivo, a construção de um edifício fixo de salas de aula e outros equipamentos.
A Escola Preparatória, designada de Escola Preparatória de Gomes Eanes de Azurara, arranca em Outubro de 1971 com um total de 144 alunos, sendo 122 do 1º. Ano e 22 do 2º. Foi seu primeiro director o Dr. José Lemos Gomes.
Em jeito de balanço do 1º ano de existência da escola, o director, salientando o substancial aumento dos alunos inscritos para 1972/73 (279 alunos) sublinhava o esforço da direcção e corpo docente constituído por 21 professores, que muito terão contribuído para o bom aproveitamento escolar dos alunos que frequentaram o ano lectivo de 1971/72. Com efeito, no Notícias da Beira de 1972, este referia a tal propósito: “- Suponho que o aproveitamento pode considerar-se bom pois que, de 22 alunos do 2º ano foram admitidos a exame 18, tendo todos estes obtido aprovação e, de 119 do 1º ano, transitaram para o ano imediato 91.” Inquirido sobre as condições das instalações e da alimentação dos discentes, uma vez que “uma criança mal nutrida ou mal alimentada e com frio nas aulas não pode dar rendimento normal”, Lemos Gomes salientava:”- Quanto aos problemas de alimentação nada de concreto pudemos ainda fazer. No que respeita ao aquecimento foi-nos possível comprar um aquecedor para cada sala de aula”.
Em 1980, a Câmara Municipal de Mangualde, reivindicava uma nova Escola Preparatória denunciando a degradação das instalações e a localização na margem da EN 329-1, que estabelece a ligação Mangualde/Penalva do Castelo/Sátão, bem como entre a sede do Concelho e as muitas aldeias periféricas evidenciando portanto um perigo eminente para os utentes da escola em causa. Para agravar a situação, a estrada nacional referida, iria passar a curto prazo a principal via de acesso e saída de Mangualde, uma vez que tinha sido recentemente adjudicada a construção do primeiro troço da futura via rápida Aveiro/Viseu/Vilar Formoso (IP5).
Neste sentido é enviada a 20 de Agosto, ao Ministro da Educação e Ciência, uma exposição na qual o certo ponto se refere: “A escola Preparatória funciona numa série de pavilhões pré-fabricados, que proporcionam apenas 20 salas de aula, algumas exíguas, e nas quais vão ter que caber no próximo ano lectivo, 24 turmas o que à priori se afigura como impossível”. Nesta exposição sublinhava-se ainda o estado degradado dos pavilhões pré-fabricados devido ao uso intenso cuja recuperação ou substituição acarretaria custos financeiros muito elevados.
Em 1981/82 conforme pode constatar-se por quadro anexo, a Escola tinha 621 alunos, dos quais 346 discentes do 1º ano e 275, do 2º ano.
Em 1988, o Ministério da Educação propõe transferência da Escola para as instalações da antiga Escola Secundária (antigos colégios de S. José e Stª. Maria) que entretanto, fora instalada num complexo escolar construído de raiz.
Esta proposta é veementemente rejeitada por todos os actores educativos e pelo executivo da Câmara Municipal. Daqui surge, por parte do Município a posição de não enviar à Direcção dos Equipamentos Educativos do Centro, os elementos solicitados a fim de se proceder à remodelação das instalações dos supracitados colégios para nela instalar a futura Escola Preparatória. Reitera-se a posição de que tal discordância já tinha sido exposta ao Sr. Secretário de Estado que teria prometido equacionar devidamente o problema.
Entretanto a Escola continuava a degradar-se. Por este facto, em Abril de 1990, alunos, professores, funcionários, encarregados de educação protestavam contra a inércia do Ministério de Educação em encontrar a solução adequada para a construção de uma nova escola e contra as actuais instalações onde o desconforto do frio, da chuva, da neve, do vento e do calor, causavam perturbações e preocupação a todos quantos pugnavam por uma escola de sucesso e qualidade.
A estes protestos juntavam-se os da imprensa regional e local que clamava que “um dia a casa vem abaixo” e interrogava-se, por outro lado, perguntando “quem acode à Escola Preparatória de Mangualde”.
No mesmo ano, Eduardo Dâmaso, jornalista do Público, escrevia em de 24 de Setembro num artigo intitulado “ «Da aldeia dos macacos» às aulas do estádio”: “A aldeia dos maçados como é conhecida a Escola Preparatória de Mangualde, tem 675 alunos, 60 professores e 23 salas - barracas de madeira e telhados de zinco, algumas com menos de 20 metros quadrados -, sem aquecimento e cadeiras suficientes e um ginásio onde chove” .
O Jornal Voz das Beiras, de 27 de Setembro de 1990, refere que. “ A escola tem 27 turmas mas apenas 23 salas. (…) Chove num pavilhão e no ginásio. As casas de banho estão degradadas e o seu chão não se consegue limpar. A escola não tem aquecimento porque a instalação eléctrica não está preparada para tal esforço” sublinha ainda que, a situação não é pior, porque os funcionários foram fazendo reparações e recuperaram 100 cadeiras durante o verão.
O articulista do mesmo jornal, salientava que em 1987 em visita à supracitada escola, o Secretário de Estado Alarcão Troni, prometera que as instalações estariam prontas em 1990. No entanto “a julgar pelo que se diz no M.E. nem em 1991 começarão as obras…o terreno ainda não existe.”
Em Novembro de 1990, o Diário de Coimbra publicava: “a situação degradada da Escola [Preparatória de Mangualde] e a necessidade de arrancar com uma construção de raiz neste concelho, foram levados à Assembleia da República”.
Pela urgência, em 10 de Outubro de 1990, o Presidente do Conselho Directivo da Escola Preparatória de Mangualde, Dr. Fernando António Rodrigues Espinha, endereça um ofício à Directora Regional de Educação do Centro, solicitando uma audiência a uma embaixada da escola, para discussão de questões que se prendiam com a construção da à nova Escola Preparatória. Em 18 do mesmo mês, a Directora Regional, acede receber uma embaixada da escola, composta por membros dos Conselhos Directivo e Pedagógico e da Associação de Pais. No dia seguinte, Presidente do Conselho Directivo da escola, dá conta, ao Sr. Presidente da Câmara, Dr. Mário Videira Lopes, da conversa havida com a Sr.ª Directora Regional e da sua predisposição para negociação.
No ano seguinte, a Direcção Regional de Educação do Centro, informa a escola do bom andamento do processo. Neste contexto, a Câmara Municipal pede opinião sobre modelos de construção da escola e possibilita a visita à Escola C+S de Paços de Sousa, “eventual projecto para a futura escola C+S de Mangualde” recebendo, curiosamente, do gabinete do Secretário de Estado “proposta de acordo de colaboração” para a construção de duas novas escolas C+S para Mangualde.
No entanto, está-se em Setembro e nada de mais concreto se sabe. Assim a 9 de Setembro de 1991, a Direcção de Associação de pais apoia a decisão dos conselhos de disciplina da Escola Preparatória de Mangualde em encerrarem a escola em 16/9/91 como meio de protesto. Decidem convidar ainda os meios de comunicação social para lhes dar conhecimento da situação. Solicitam também, audiências à DREC, ao Secretário de Estado Adjunto do M.E. e ao Presidente da Câmara de Mangualde.
Em 1992, cansados de tanta promessa, os professores resolvem, como forma de protesto contra as instalações degradas da escola, não realizar os Conselhos de Turma de avaliação do 1º Período. Tal posição é apoiada, mais uma vez, pelos pais e Encarregados de Educação.
Face a esta posição, a Direcção Geral de Educação, reage de imediato, fazendo deslocar-se a Mangualde, a Directora Regional de Educação do Centro, Dr.ª Maria Manuela Fonseca, a 11 de Dezembro. Esta expressa à comunidade Educativa, a disposição do M.E. resolver rapidamente o problema.
Assim, em Abril de 1993, é estabelecido entre o ministério da Educação, através da Direcção Regional de Educação do Centro e a Câmara Municipal de Mangualde, um acordo que viabilizará a construção da nova escola e que, no seu ponto 5, estabelece: “ A Direcção Regional de Educação do Centro e a Câmara Municipal de Mangualde acordam que a escola deve estar concluída, para então entrar em funcionamento, até 1 de Setembro de 1995”.
Fica então decidido o local de construção da nova escola. Esta será implantada num espaço destinado à educação, à cultura, ao desporto e ao lazer. Com efeito, esta situar-se-á numa zona contígua à Escola Secundária, à Biblioteca Municipal e ao Parque Desportivo de Mangualde. Todo este complexo ficará com fácil acessibilidade de transportes escolares. Entre as cláusulas contratuais, a câmara comprometia-se, nomeadamente, a ceder o terreno, a fornecer os levantamentos topográficos e cadastrais, a executar as infraestruturas exteriores ao perímetro da escola indispensáveis ao seu funcionamento e a ceder por um período de 10 anos, à escola a construir, a utilização do Pavilhão Desportivo Municipal para a prática do desporto e educação física.
Em 1995, a nova Escola Básica 2.3, Gomes Eanes de Azurara, começaria e já com algum atraso, as actividades lectivas parcialmente. De facto, por os edifícios novos não estarem totalmente construídos, a rotunda adjacente à escola não estar executada e o novo espaço educativo necessitar de mais recursos humanos, esta escola viu-se obrigada a funcionar no ano lectivo de 1995/96, em dois espaços distintos e geograficamente distantes: o novo e o velho edifício do Ciclo Preparatório.
No novo edifício, funcionou o 7º ano em pleno com 225 alunos e os 5º e 6ºs anos, na sua totalidade 602, coexistindo entre os dois espaços alternativos.
Finalmente, a Escola EB 2,3, Gomes Eanes de Azurara passava a cumprir as suas funções em pleno, no ano lectivo de 1996/97, com um corpo discente de 910 alunos, assim distribuídos: 5º ano - 272 alunos; 6º ano – 273, 7º ano – 176 e 8º ano – 189, e com um corpo docente de 79 professores.
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